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terça-feira, 21 de abril de 2009

O Vaso Portland

Este é o famoso "Vaso Portland".
É um vaso romano, feito provavelmente no primeiro século d.C., através da técnica do camafeu de vidro.

A técnica do Vaso Portland

O vidro que compõe o corpo do vaso é de um azul cobalto tão intenso, que ganha uma opacidade quase negra. As figuras são de vidro branco, que é soprado num molde junto com o vidro de cobalto.

Depois que o vidro esfria, ele é lapidado para a obtenção das figuras. É isso que dá o relevo das formas, e algum sombreado por transparência nos corpos.
O "Vaso Portland" pertenceu aos duques de Portland, entre 1785 a 1945.

A história da conservação do Vaso Portland

Em 1810, o vaso foi deixado em comodato pelo Quarto Duque de Portland para o Museu Britânico.

Em 1845 aconteceu a desgraça: um visitante (consta que bêbado) quebrou o vaso, usando outra peça do museu para bater nele (!). O vaso reduziu-se a 200 cacos e levou 10 anos para ser restaurado.

37 fragmentos do vaso ficaram perdidos por 100 anos.

Em 1945, o Museu Britânico comprou o vaso do Sétimo Duque de Portland, e os fragmentos perdidos foram encontrados.

Em 1987, por ocasião de uma exposição no Museu, os restauradores observaram que a colagem do vaso já estava fraca e começou o processo para uma nova restauração.

O vaso foi extensivamente fotografado, para que a posição dos fragmentos fosse registrada.
A BBC filmou todo o processo. Os técnicos fizeram testes com uma série de adesivos, na busca por alguma solução que tivesse longa duração. Decidiram pela resina epóxi.
Colar o vaso foi extremamente difícil, pois muitos dos fragmentos tinham caído já na primeira restauração.
Algumas áreas onde ficaram vãos foram preenchidas por resina azul ou, quando ocorreram nas figuras, resina branca.
O Vaso Portland é um dos tesouros do Museu Britânico e pode ser visto em exposição permanente.
A história e as fotos da sua restauração encontra-se em http://www.britishmuseum.org/explore/highlights/article_index/c/portland_vase_-_conservation.aspx

Fotos da restauração do Vaso Portland: The British Museum
Foto do vaso Portland em exposição: Luciana Chagas

domingo, 12 de abril de 2009

Cerâmica na História da Arte (parte 6)

James McNeill Whistler (1834-1903) era um grande admirador das gravuras japonesas, assim como os pintores impressionistas franceses. Esta tela reflete a influência oriental na sua pintura.

"Púrpura e Rosa: Lange Leizen", pintada em 1864, mostra uma mulher, vestindo um quimono, sentada languidamente pintando um vaso de porcelana.

Aqui, a cerâmica não participa apenas do cenário, e sim da ação.

Esta pintura a óleo sobre tela pertence ao acervo do Museu de Arte da Filadélfia, USA.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Cerâmica na História da Arte (parte 5)

John Singer Sargent (1856-1925) , foi principalmente um retratista de seu tempo. Seus retratos da aristocracia européia do final do século XIX encantam pelo clima lírico e gracioso.

Este é o "Retrato das filhas de Edward D. Boit", pintado em 1882. Sargent faz uma referência à pintura de Velásquez, "As Meninas", patente na composição e no assunto.

Dois enormes vasos chineses de porcelana branca e azul emergem na penumbra. A verticalidade quase corporal desses vasos, além de seu tamanho, de proporções humanas, fazem deles dois personagens da pintura, tanto quanto as meninas retratadas.


"As filhas de Edward D. Boit", de John Singer Sargent é uma pintura a óleo sobre tela, mede 2,20m x 2,20 m e pertence ao acervo do Museum of Fine Arts, Boston, Estados Unidos.



domingo, 5 de abril de 2009

Cerâmica na História da Arte (parte 4)

Jean Auguste Dominique Ingres, um dos últimos representantes do neoclassicismo na pintura francesa, discípulo de David.
Pintou "La source" (A Fonte) em 1856.
Os pintores neoclássicos prezavam a cultura grega como fonte primária de suas referências estéticas e de inspiração criativa.
O próprio Ingres possuía uma coleção de objetos que utilizava em seus estudos para pintura e desenho como: esculturas, relevos e cerâmicas antigas.


Em "La Source", vemos a personagem segurando uma ânfora idêntica às gregas, porém sem as suas pinturas características em terra sigilata.

Esta obra, diferente daquelas exibidas anteriormente, insere o objeto cerâmico fora do seu contexto doméstico e utilitário. A ânfora, aqui, não funciona como ânfora, mas como uma alegoria.

Essa pintura é um óleo sobre tela, mede 163 x 80 cm e pertence ao acervo do Museu D'Orsay, Paris, França.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Cerâmica na História da Arte (Parte 3)

"O Aguadeiro de Sevilha", tela pintada por Diego Velásquez em 1620, é, talvez, a sua obra mais conhecida depois de "Las Meninas". Esta tela foi pintada no seu período inicial, antes de Velásquez se tornar o pintor do rei Felipe IV da Espanha.
A tela é um exemplo dos chamados "bodegones", um tipo de pintura de gênero que retrata cenas do cotidiano de tavernas e cozinhas. Aqui, um vendedor de água serve uma taça a seu jovem cliente.
Porém, parece-nos que o personagem principal da cena é o cântaro de cerâmica, que aparece no primeiro plano central da composição.
Além de uma demonstração de virtuosismo técnico na pintura, pelas múltiplas texturas retratadas de modo quase fotográfico pelo pincel de Velásquez, temos um belíssimo exemplo de cântaro cerâmico da Espanha do século XVII.
Abaixo, uma jarra menor, desta vez com um acabamento esmaltado e detalhes em relevo, composta de duas peças. Note como a caneca encaixa-se na jarra, servindo como tampa.
Quando eu for à Espanha (algum dia), tentarei fotografar exemplares genuínos da cerâmica espanhola do século XVII.
Esta tela mede 1,08 x 80 cm e pertence ao acervo da Apsley House, Londres.